sexta-feira, 6 de maio de 2011

Não quero um Brasil Europeu.



Onde queremos chegar? Sempre percebi na consciência brasileira o desejo de se encaixar em alguns modelos. Olhamos e por muitas vezes desejamos ser uma Europa latino americana ou um estados unidos brasileirinho. Será que um dia seremos como um país europeu? Seria possível nos tornarmos algo que não somos para reproduzir um conceito mundial de como devemos ser? Creio que o nosso futuro não pode ser uma reprodução de algo que existe, pois como povo somos únicos. Nunca tinha ido a Europa antes, entretanto passei 16 dias em um projeto missionário em Portugal, Espanha e França nesse mês que se passou e muitas foram as minhas constatações. Primeiramente quero falar sobre o ânimo europeu. Uma jovem que estava conosco em um restaurante perguntou: “esse prato de carne é feito com qual parte do boi?” Respondeu a atendente: “não sei, não fui eu que cortei o boi.” No momento rimos demais, mas essa não foi a única resposta agressiva que recebemos. Enquanto andava pelas ruas de Barcelona eu percebi algo muito ruim, simplesmente não havia sorrisos. As pessoas sempre com o semblante fechado e quando perguntávamos algo alguns simplesmente nos ignoravam. Seria a cultura ou resultado de um vida frustrada? Em uma loja na mesma cidade uma senhora discutia com a vendedora com uma agressividade que não pensei encontrar tão facilmente nas ruas de uma cidade do “primeiro” mundo. Será que as bem aventuranças do primeiro mundo não são capazes de imprimir no ser humano um senso comum de respeito e cordialidade? Ou é apenas a cultura deles? Eu acho que a resposta não pode ser tão simples. E por falar da igreja. Ou melhor que igreja? Simplesmente parece que a igreja não existe. A igreja se tornou museu. Quando entrei na catedral de Notre Dame em paris uma multidão se encontrava em suas portas com perfeições artísticas, entravam e percebiam a igreja como um monumento histórico. Igreja é coisa do passado. Já possuímos uma ótima saúde pública, nossas estradas são tapetes automobilísticos, nossos prédios modernos, nossos monumentos extravagantes, nosso plano de aposentadoria satisfatório, nossos carros novos abarrotam nossas garagens, para que Deus? Em Portugal notei algo diferente. A crise tem aberto as portas para a pregação do evangelho. Parece que o ser humano não aprende, nada como uma crise para ele voltar aos princípios da dependência de Deus. A Europa é linda, mas não quero que nosso país se torne como ela. Que a prosperidade financeira não transforme nosso país em uma terra linda mas fria. Como foi bom chegar no aeroporto e perguntar onde ficava nosso destino para um taxista carioca, que vale dizer que o mesmo tem uma vida quase “infernal” no transito do rio, e ele com um sorriso nos deu a informação necessária com tanta satisfação e simpatia. Que tenhamos boas estradas, uma boa saúde, dinheiro no banco, mas que não percamos o nosso jeito de ser e que a igreja não seja esquecida diante do crescimento de algo que não nos garante uma vida saudável e satisfatória. Dinheiro sem Deus = vida frustrada.

5 comentários:

Glaucia disse...

Li seu texto. Concordo com muitas coisas, principalmente com a situação da igreja na Europa mais discordo tb de outras. já morei na Europa, alemanha, e tenho viajado bastante pois minha irmã vive na Inglaterra e minha filha na Holanda, inclusve voltei de lá semana passada onde estive por um mes. Qto a educação eu tiro meu chapeu para vários paises da europa, nós ainda temos muito que aprender. Cuidado com o patrimonio publico, cuidado com idosos e crianças .Quanto a segurança então;queria eu sair a noite e voltar sem medo e encontrar meu carro no mesmo local em que havia deixado. Espero que vc tenha outras experiencias pois 16 dias em tres paises não dá para se conhecer profundamente um povo.Gosto muito da minha terra mais temos muito que aprender tb. abraços

Pr. Bruno Couto disse...

Nessa experiência de 16 dias conversei com muitas pessoas a respeito de sua própria cultura, sei que não podemos generalizar, principalmente um povo, entretanto senti um sentimento de tristeza em meio as pessoas. Pastores missionários me relataram as dificuldades vividas como estrangeiros e a rejeição que eles sofrem todos os dias. Longe de mim anular as qualidades do povo, e estas são muitas, mas o que quis dizer em minha postagem é que a solução para a nossa nação não é se "europizar" o modelo deles não cabe e nunca caberá em nossa cultura. Teremos que descobrir nossos caminhos. A educação não por punição pois as multas na Europa são altíssimas. Pode ser utopia, mas que tenhamos educação não por punição somente mas por opção. Recebo sua palavra e espero poder ter mais experiências na europa e em outros países. Fique com Jesus e manda um abraço para nosso Líder.

Anônimo disse...

Olá, acho que vc deve ter passado somente por lugares com pessoas mal humoradas, pois eu já fui lá e não vi nada disso, uma coisa vc pode ficar despreocupado, NUNCA seremos iguais a eles, eles tem CULTURA, podem até ser mal humorados, mas cultura tem é o que falta nesse povo sem educação aqui do Brasil, qt a Deus concordo com vc, no mais nada aqui é igual lá, eu estava num sinal e ia atravessar, o sinal estava vermelho para pedestre, mas não vinha nenhum carro, na nossa cabeça, "o que que tem atravessar" e eles lá não, estavam esperando ficar verde para pedestre, nós temos muuuuuuuuuuuuuito que aprender com eles.

Pr. Bruno Couto disse...

Quando dizemos que eles possuem cultura e nós não estamos cometendo um erro terrível. Porque somos assim? Porque somos um país que sempre foi conhecido como um país pobre? A que preço eles adquiriram a riqueza que sustenta a sua educação? Lembre-se que se somos ainda um país subdesenvolvido é porque nossa colonização foi exploratória. Nós salvamos os europeus muitas vezes com nossas riquezas. Como já disse não generalizo mas constato. Longe de mim demonizar os europeus, fui recebido de maneira graciosa na casa de um deles e fui extremamente bem tratado, somente afirmo que o modelo deles não é a nossa salvação. Aprender? Devemos também aprender com os africanos que por anos e anos foram explorados e martirizados para manter a educação de muitos. Esse povo sim é forte.

Raquel disse...

A paz pastor, gostei de conhecer o seu blog é uma bênção!
Infelizmente a Europa se esqueceu mesmo de Deus. Eles servem a Mamom, e confiam nos bens materiais...
Quanto às pessoas mal-encaradas e melancólicas posso dizer, baseada na minha experiência de morar aqui que os europeus são geralmente tristonhos e mal encarados e ao mesmo tempo possuem um complexo de superioridade em relação a nós, de países "em desenvolvimento". Aqui o ambiente espiritual é mais pesado do que no Brasil, só entendem os crentes verdadeiramente espirituais e com o dom do discernimento.
Os brasileiros são felizes e não sabem!
Nós imigrantes sentimos muito a falta de calor humano, da compaixão, a simpatia do brasileiro; sentimos a xenofobia de alguns, ainda mais com esta famosa "crise" na qual o continente está entrando.
O lado bom de tudo isso é que quando um europeu se converte ao Senhor de verdade, se entrega de corpo e alma para Deus, como o sr. pôde ver na nossa igrejas, por exemlplo. Mas o processo é lento, cheio de obstáculos. Fazer missões na Europa não é pra qualquer um, mas para a glória de Deus, muitas das igrejas avivadas são de pastores brasileiros, sendo a maioria curiosamente de ministérios independentes. As que dão certo tem parceria com outras igrejas e juntas, avançam para fazer a obra de Deus.